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terça-feira, 14 de setembro de 2010

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade

   Esse é um transtorno que acomete tanto meninos e meninas, porém se manifesta de diferentes maneiras entre os gêneros, de 5% das crianças com o TDA/H, mais da metade pode adentrar para a vida adulta. Os três sintomas básicos são: desatenção, hiperatividade ou inquietude e impulsividade, é um transtorno de base neurobiológica.
   No processo neurobiológico a área do córtex pré-frontal é a responsável pelo comportamento inibitório, é onde se localiza o freio inibitório, porém nos portadores do TDA/H esse freio não funciona. Apesar das alterações não se resumirem somente a essa área, é devido a esses problemas que as pessoas portadoras não conseguem se concentrar em um único foco, pois são dados muitos estímulos ao mesmo tempo.
   A herança de carga genética é bastante significativa para o desencadeamento do transtorno e dificuldades no desenvolvimento de habilidades, porém a combinação com um ambiente desajustado propicia uma maior probabilidade de seu surgimento.
   Os portadores de TDA/H são descritos pelos professores como sendo alunos que não prestam atenção na sala de aula, são aqueles que também não fazem as tarefas, e seus cadernos são uma bagunça, não conseguem ficar parados quietos e sentados na cadeira. Geralmente os educadores mais desinformados têm uma percepção de que os pais dessas crianças não lhes dão limites.
   Em relação aos sintomas básicos, no que diz respeito à desatenção, essas crianças misturam os assuntos, ficam pensando em outras coisas na sala de aula, não mantém um foco de atenção, têm dificuldade de seguir instruções, não conseguem completar tarefas que exijam persistência e esforço mental, perdem seus pertences com freqüência, são desorganizadas e esquecidas e se distraem facilmente; como dica, os professores devem colocar esse aluno longe de estímulos como uma janela.
   Já falando na questão da hiperatividade, essas crianças mexem muito os pés e as mãos, são um pouco mais barulhentas que as outras, e sempre estão em movimento, não conseguem esperar nas filas e se intrometem nas atividades e na fala das outras pessoas, além de falarem demais.
   O destaque feito para os meninos é no tocante a problemas com o comportamento social, de desvio de conduta. Já nas meninas podemos observar três tipos diferentes: tipo hiperativo impulsivo, as ditas levadas, que são crianças muito ativas, argumentativas e costumam ter mais amigos meninos e ate participar de brincadeiras tidas como masculinas.
   Outro tipo é o hiperativo desatento que é caracterizado por meninas quietas, as quais não chamam muito a atenção, são crianças muito ansiosas e têm medo de desagradar os outros, sendo também bastante desorganizadas, tendem a apresentar juntamente comorbidades de ansiedade e depressão.
   O terceiro tipo é o misto, onde as meninas não são tão ativas nem tão levadas, também são desorganizadas e não conseguem seguir uma seqüência de fatos.
   O diagnostico é clínico, sendo baseado nos sintomas e em informações colhidas com os pais e os professores, por isso o professor não dá o diagnóstico, ele pode perceber algo diferente na criança e suspeitando de alguma coisa deve encaminhar aos profissionais capacitados, os pediatras e os educadores estão não linha de frente para perceberem essas peculiaridades, sendo aliados desses.
   Pedagogos, psiquiatras, especialistas na área da educação infantil, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos são alguns dos vários profissionais os quais realizam trabalhos junto aos portadores do transtorno e também dão apoio aos seus familiares.
   Na adolescência a impulsividade propicia uma série de comportamentos de risco e também a baixa auto-estima. Como já citado acima, o TDA/H tende a persistir pela vida adulta, porém os sintomas se adaptam a nova versão, vêm com uma aparência diferente, os adultos são pessoas inquietas, são pessoas que se envolvem em várias atividades ao mesmo tempo, têm mais dificuldades cognitivas, não conseguem manter um planejamento ou a organização do seu tempo, costumam atrasar seus pagamentos e não conseguem conciliar tarefas.
   Nos E.U.A. são feitas muitas pesquisas e por isso os órgãos classificadores do transtorno são o DSM – IV e o CID -10. Existem alguns exames disponíveis como a ressonância magnética, Onda P300, entre outros, no entanto, não são necessários a não ser que se suspeite além do TDA/H, de um problema na aprendizagem, sendo necessário assim um exame neuropsicológico.
   Sabe-se que 1/3 apenas dos portadores apresentam o TDA/H sozinho e mais de 70% têm outros problemas junto, que são chamados de comorbidades e em geral são: depressão, ansiedade, abuso de álcool e substâncias, transtornos de aprendizado (dislexia), transtornos de comportamento – desafio e oposição e transtorno de conduta-, tiques. Nesses casos o tratamento começa a ser feito primeiramente a partir do que estiver causando maior prejuízo, e se for possível podem ser tratadas as duas coisas simultaneamente.
   O melhor tratamento começa com a educação e a informação, tudo funciona de maneira multidisciplinar, a escola se planejando e o acompanhamento psicoterápico, a segunda fase é a administração de medicamento para os hiperativos impulsivos, o mais utilizado é o metilfenidato, contudo, os pais ficam receosos e preocupados com a questão da dependência, mas é muito raro isso acontecer, a terceira etapa no processo de tratamento e a mudança de comportamento daqueles que convivem com o portador, esses devem ajudá-lo a reorganizar sua vida e a começar um reaprendizado pessoal.
   Como podemos perceber, é na idade escolar, por volta dos 7 anos, que esse transtorno é notado e diagnosticado devido ao tipo de atividades exigidas das crianças nessa fase, sendo o diagnóstico feito precocemente e corretamente os custos para o poder público e para o portador serão bastantes diminuídos. E já que é na escola onde tudo começa, então estas devem se adaptar para lhe dar com o TDA/H, o professor deve mudar o seu comportamento para com a criança, os pais devem escolher a escola mais apropriada para os seus filhos, escola essa a qual investe na formação do professor, que respeita as diferenças, que avalia o aluno pelo progresso que ele alcança e não comparando notas. O professor do aluno com TDA/H deve avaliar com todos aqueles que estão em contato com a criança o seu comportamento, descrevendo-o, deve entrar em contato com os pais transmitindo suas observações e seus encaminhamentos dando sempre informações claras.
   A escola deve fazer um novo planejamento e criar estratégias e modificações, como uma modificação no ambiente, a adaptação do currículo: para crianças lentas sugere-se reduzir o conteúdo a fim de capitalizar as habilidades, para crianças visuais, realizar testes mais curtos com aquelas que têm facilidade na escrita e com aquelas que apresentam dificuldades de escrita fazer teste oral, seria de uma boa validade também a escola flexibilizar um pouco as tarefas, adequando o tempo para a realização das atividades, solicitando trabalhos curtos, em etapas e com tempos diferentes, ou seja, não exigindo que todos os alunos acabem no mesmo instante, para crianças com a hiperatividade muito alta possibilitar sempre momentos de movimento (ex: ser o ajudante da sala de aula). É sempre bom também a escola manter-se informada sobre a administração e o acompanhamento da medicação se necessária.
   Algumas dicas podem ser úteis para auxiliar nas dificuldades da criança, como colocar a criança sentada perto do professor (a), ter um sinal secreto para avisá-la quando estiver desatenta, sem que chame atenção de todos, não repetir palavras ditas erradas pelas crianças, incentivar parcerias entre os alunos visando à cooperação, elogiar a criança no momento em que consegue acertar as tarefas, não rotular o aluno, procurar sempre estimular a memória (músicas com rimas são ótimas), fazer uso de resumos e lembretes, sempre que for falar sobre qualquer assunto avisar antes e evitar improvisos, procurar recordar a matéria antes de introduzir outra, avaliar a turma de maneira individual, ler em voz alta, usar cores coloridas ao escrever na lousa e valer-se de textos curtos, pedir para que o aluno repita frases cada vez mais longas, assim exercitando a memória, realizar atividades de socialização que incentivem a atenção e a concentração.
   Um parêntese de extrema importância é perguntar à criança onde ela sente dificuldade e conhecer o aluno em suas particularidades, sabendo de qual maneira ele aprende melhor para poder ensiná-lo. A criança tem o direito de saber o que ela tem, portanto o adulto deve conversar de maneira simples e adequada para que ela entenda.
   Como podemos ver o TDA/H tem diagnóstico e tratamento, estes sendo utilizados precocemente e de maneira adequada minimizam os prejuízos causados pelo transtorno e na medida em que os educadores e as pessoas envolvidas com os portadores se atualizam, auxiliam também esses indivíduos a viverem de uma forma melhor e mais saudável.

7 comentários:

  1. Fernanda L. Gonçalves13 de novembro de 2010 18:48

    O texto acima esclarece e orienta pais que como eu se encontram com este diagnóstico e não sabem o que fazer com os filhos. Parabéns pela informação trazida de forma clara e elucidativa.

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  2. Obrigada Fernanda,fico imensamente feliz de poder ter contribuído,afinal esse é o meu trabalho,é por isso que estou sempre procurando me aperfeiçoar.

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  3. Olá Dra. Rachel. Sou mãe de uma adolescente portadora de TDA. Só descobri este ano e ela tá sendo acompanhada por uma psicopedagoga, está usando o metódo PEI, como tratamento. Ela repetiu o ano escolar e corre o risco novamente este ano. Gostaria de saber se existe alguma colégio em Recife, para portadores de TDA. Obg Miriam

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  4. Hoje, após debater com as professorinhas de meu filho sobre as dificuldades que ele vem apresentando, encontro um horizonte nesse seu texto maravilhoso. Agora tenho um ponto de partida para tentar ajudar, de forma definitiva, o meu guri a superar seus problemas e limitações. Não há dinheiro no mundo que pague isso. Muito obrigado!!!
    Marcone e Patricia

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  5. Muito obrigada pelos comentários,isso me faz estar sempre procurando melhorar.Fico realizada quando contribuo positivamente com alguém.

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  6. Miriam,desculpe a demora em responder,mas andei um pouco sem tempo para acessar a internet.Infelizmente eu não conheço colégio específico para crianças TDAH, e profissionalmente não acredito que seja recomendável, pois a criança precisa de acompanhamento e não "rotulá-la" mais ainda colocando-a em uma escola específica,acredito que assim sua filha se sentiria mais diferente ainda dos outros adolescentes,e sabemos que esta é uma fase onde eles tentam se inserir em algum grupo,tentam ser aceitos e querem suas opiniões levadas em conta. Se sua filha já está sendo acompanhada por um profissional qualificado,e todos estão envolvidos para que ela se sinta acolhida,já está ótimo.

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  7. Gostei uito do sue texto, ajuda a nós pais entendermos melhor o papel da escola nesse processo. Tenho um filho de 7 anos que foi diagnosticado com TDAH, isso mesmo ele tem os dois, e a s vezes é difícil acompanha o ritmo dele, chamamos ele carinhosamente de beija-flor pq é tão agitado qto a as asas de um beija-flor, mais uma vez obrigada pelo texto.

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